Não pretendo fazer um post muito grande, até porque tem coisas mais legais para serem ditas em maiores linhas e caracteres.
Quando eu comecei a escrever aqui, fui notando que todos os meus escritos se baseiam em coisas que fazem parte de quem eu sou e/ou do que eu penso, do que se passa na minha cabeça, martela e me faz energizar como um hamster dentro daquelas rodas. Do que é meu.
Nesse embalo de organização do blog, eu tava muito em dúvida sobre qual nome eu colocaria para a etiqueta onde eu postaria essas loucuras, e claro que minha criatividade teve que faltar e me fazer recorrer ao óbvio egocêntrico. Desde então, ando percebendo que todos os meus poucos posts até agora giram em torno desse mesmo nicho: o possessivo, o meu, o eu mesma.
Eu nutro um amor tão grande pelo o que é de fora, sofro e devoto toda a criação que o mundo mostra, e é tão engraçado que nesse pequeno espaço o único peixe que nada por aqui sou eu mesma. O blog é meu, certamente, é normal abordar sobre assuntos que me tocam porque são meus dedos e meus neurônios que escrevem tudo isto, mas é particularmente engraçado esse meu pequeno narcisismo.
Gosto do que vem de fora porque faz parar de olhar para mim, me faz ignorar meu antropocentrismo e ver outras cores e outras tonalidades, e eu quero poder me cansar de falar de mim para falar das outras coisas. Outros, não o próprio.
Não é uma reclamação, é bom que eu me olhe e veja o quanto eu não presto, mas a arte foi uma necessidade do ser humano de parar de olhar para a sua própria miséria e perceber o que lhe rodeia. Quero cansar de falar mim para falar de você. Devoto o Céu e as nuvens que O rodeiam, amo os insetos e cada concha escondida nos grãos de areia; me apaixono por todas as pupilas, narizes, sobrancelhas, suor e sangues de diferentes tipos e Rhs. Tu, leitor, me encanta mais que minha própria melancolia.
Não sei quando irei parar de falar de mim, mas oxalá que seja logo, assim poderei lhe dedicar cada molécula de oxigênio que me e lhe rodeia.
quando eu li O Segundo Sexo da simone de beauvoir ela discursava muito sobre isso, a existência do Outro em relação ao Um. O Outro só existe porque somos Um e somos Um porque não somos o Outro.
ResponderEliminara magia do mundo é que não foi feito por mim, não existe para mim, existe por si. que lindo isso né.
o Outro era abordado como ou opressor ou oprimido, mas acho que nos cansamos tanto de nos odiar que resolvemos criar algo para destilar ódio em conjunto.
e se eu não quiser odiar o Outro? e se eu não quiser ser para sempre Um?
espero que você se observe e se entenda e se trasnforme em alguém ainda mais interessante de dissecar "Não seria como acordar com um rosto novo, estranho: seria como acordar com um rosto que já conhecia, o rosto que eu já imaginava meu e então seria natural"