O título desse post ficou sujeito a tantas alterações, porque o que eu pretendo escrever aqui é tão sem nexo e infantil que nem o título conseguiu acompanhar essa carroça de palavras - que agora serão usadas ilícita e futilmente.
A um tempinho tempão, eu passei a ter um carinho muito grande e meio específico pela consideração de terceiros. Quando eu estava conversando com uma pessoa e disse que o que eu mais odiava em alguém seria a falta de consideração, essa pessoa me respondeu como se eu tivesse dito a coisa mas óbvia do mundo; até porque, por acaso alguém gosta da falta de consideração vindo de alguém que você preza? Qualquer pessoa não masoquista responderia claro que não, poxa alguém faltar a consideração com você é algo muito paia.
Acredito que por eu ter vivido experiências onde eu senti que fizeram pouco caso de mim e me deixaram numa gaveta, eu desenvolvi uma espécie de escudo que eu só iria abaixar quando percebesse que uma pessoa tem por mim o mesmo apreço que eu tenho por ela (provavelmente isso é influenciado pela minha mania feia de estar sempre na defensiva mas acho que essa parte é algo que poderia ser abordada em um outro post - se eu tiver a competência de escrever sobre, o que é bem difícil rs). Me considero uma pessoa que demonstra afeição pelas outras de formas meio específicas, mas quando eu percebo que alguém está demonstrando algo legal por mim da própria maneira, é como se eu me sentisse um tico mais amada/menos difícil de ser gostada, e esse tico é o mundo pra minha cabecinha.
Porque eu gosto de ser considerada, de ser lembrada no meio de "alguéns" como "eu", "ela", "a".
Mas me vem aquele choque de realidade, aquele medo de estar sendo egoísta: o mundo não gira em torno de mim, se eu quiser ser o "centro de tudo" eu estaria faltando com a humildade e até mesmo com a noção. Em contrapartida do meu querer de ser lembrada, vem o medo de incomodar, de ocupar um espaço desnecessário, de ser a entrosa na cabeça de alguém. Quando me mandam mensagem no meio de um evento que eu não pude ir, quando tiram uma foto minha e postam... é como se, pra mim, manter uma lembrança de quem sou eu fosse um peso que eu não quero que ninguém carregue.
Quero morrer depois que todos morrerem, para que eu possa carregar um pedaço de todos em mim. Isso para mim não é um peso, apesar de eu ter medo de ficar sozinha. Mas caso eu morra primeiro, ser lembrada e ser o motivo do luto de alguém é algo que me definha, o por que eu nem sei. Como se eu não fosse digna de ser recordada na biblioteca de alguém? Acho que é isso, uma névoa passageira que pode ser boa quando está presente mas que todos ficam indiferentes quando vai embora. Pode ser meio parecido com aquela frase do Schopenhauer, "a ânsia de ter e o tédio de possuir", mas a diferença é que o tédio vem antes mesmo de possuir.
Talvez esse meu medo do egoísmo é um grande egoísmo, o que seria uma contradição medonha mas acredito que seres humanos são feitos de contradições - de sins e de nãos coexistindo toda hora, a metamorfose ambulante (ai eu amo esse termo). Quero e não quero ser considerada, sinto-me aborrecida com faltas dentro de uma relação mas automaticamente já me vem o pensamento de que eu estou sendo individualista porque pessoas são pessoas; e novamente gostaria que me retratassem da forma que eu retrato os outros, apesar de nunca deixar. Acho que o que eu realmente deveria querer é ajuda, mas tenho mais medo de incomodar do que me perder. Então continuarei escrevendo do meio para o começo para o fim, sem esperança nenhuma de que um mapa linear organizado venha se formar com essas coordenadas.
"tocar o coração de todos não é possível, nunca será o mundo quem sentirá a nossa falta. tocar duas ou três pessoas— isso é a vida dos que têm sorte."
ResponderEliminarnão sei explicar muito bem mas esse post tocou em um lugar muito sensível, não sei existir se não for sob seu olhar
sobre querer ter um pedaço de todo mundo mas ter medo que peguem um peso de voce
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