É no mínimo engraçado ver você chegar com a maior cara de pau pra mim dizendo que "caiu no meu feitiço" sendo que não fui eu quem enviou um cavalo de troia para o meu coração repleto de mandingueiros. Sempre me falaram para não olhar para os olhos de um cigano, mas por conta do meu desejo animal de arrancá-los, acabei me afundando demais na minha própria inconsequência.
Foste traiçoeiro como um bicho do mato que sabe exatamente a hora de atacar, como uma serpente que não avança direto; que espera a guarda abaixar para então injetar o veneno. Veneno esse que se propaga de forma lenta, ao ponto de ser tarde demais quando a vítima perceber que foi picada. E quando eu percebi, tu quebrou todos os meus controles, sem nem me ter me dado a chance de jogar esse jogo.
Você varreu minha cabeça para hospedar todas as suas coisas nela, abafou minha voz para que eu só conseguisse ouvir a sua e disfarçou o meu cheiro para que eu sentisse o seu. Eu demoro para dormir porque eu nunca sei se você vai aparecer nos meus sonhos, então meu cérebro projeta teu rosto de novo e de novo e de novo, até que eu adormeça sem nem eu perceber. Você não incendiou, você fez pior; você me fez mar como ninguém nunca fez.
Não faz sentido, então me diz, por que? Você espera algo de mim? Nunca sei o que você quer, as vezes acho que você sente gosto quando me vê desnorteada igual barata tonta, vítima de feitiços que você joga em mim sem misericórdia. Quero te afogar no ponto mais fundo do oceano, e me vingar do carrossel que tu fez e faz no meu coração. Maldito sejais tu com tuas ciganices.
moleque do meu nojo
do rosto e da voz bonita
mas quando canta me dá agonia
da boca suja e da mente limpa
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