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sábado, 15 de agosto de 2026

minha "almassexualidade"

 Acredito que, para algumas pessoas que começaram a passar dos 10 anos de idade no inicio da pandemia, quando viram que muitas pessoas estavam se assumindo no tiktok (ou só seguindo essa onda), meio que foram se descobrindo e se assumindo também. Essa época foi um grande chafariz de pessoas finalmente se descobrindo e se entendendo e também de pessoas que só não sabiam o que queriam e posteriormente viram que elas não se encaixavam naquela comunidade.

Raul Seixas tem uma música que eu gosto muito, o nome é Metamorfose Ambulante. Em grande parte da música, o baiano canta com a voz bem arrastada: "eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, sobre o que é o amor, sobre que eu nem sei quem sou". Eu admito que ao longo da minha entrada na adolescência eu comecei a questionar minha visão sobre a atração e a relação com as outras pessoas, e creio que essa música (mesmo que eu provavelmente a tenha tirado muito de sentido) possa descrever, de uma maneira bem fútil, todo esse processo de autoquestionamento e de momentos de quase certeza.

Os rótulos sempre eram a minha maior base, eu tinha (e ainda tenho, um pouco, Jesus bem sabe) uma obsessão absurda em ter a total certeza sobre quem eu sou. Quem sou eu, do que eu gosto, o que eu sinto... tais perguntas como essas, para mim, já deveriam ter suas respectivas respostas na ponta da língua. Vendo tantos rótulos sobre os quais eu poderia me identificar, e já vou logo adiantando que eu acabei me encontrando muito no ramo aroace da árvore. Só que quando chega na parte das sexualidades como um todo (não só tipo, bissexuais e tal, mas englobando também a heterossexualidade), eu não vou mentir que eu me senti meio sei lá, presa? quando tinha visto que era bom ter uma coisa pra você se identificar.

Eu sinto que não tô sabendo explicar direito, mas a questão é que eu não queria me prender a um rótulo sendo que eu posso acordar amanhã e descobrir que não é nada disso. Claro que é pra isso que existe o autoconhecimento, a autodescoberta, mas poder ter a certeza de algo como eu tive dentro da comunidade aroace é algo que eu gosto mais do que me limitar a um termo, considerando também a minha visão sobre o que é o amor e suas formas de agir. É aqui onde eu vou adentrar nesse assunto para você, leitor invisível (e a eu do futuro), entender em como nós chegamos até aqui.

O amor não é algo exatamente explicado, mas também não chega a ser desconhecido. Até porque, todo mundo que vive o amor sabe exatamente o que ele é e como ele age, na sutileza e nos abismos. Minha certeza de que o amor pode ser definido como decisão é muito bem completada pela visão divina de Deus e pela visão humana de Tim Bernardes, quando ele diz sobre "coisa de alma". Para mim, essa coisa de alma é de ALMA mesmo; não é um gênero, não é um corpo, é uma alma que foi criada junto com a sua (porque sim, também existem almas que foram criadas sozinhas), que foram postas no mundo com dois desejos: um insaciável e o outro que se sacia quando estas se tornam uma.

Justamente por essas almas não se prenderem a um rótulo, por possuírem sua própria essência, minha capacidade limitada de produzir informações para o meu cérebro inventou uma palavra engraçada chamada "almasexual". Não sei se vocês pegaram a época em que o povo do tiktok tava inventando sexualidade, tipo animesexual e tal... pois é KKKKKKKKK. Você pode até vir e falar que eu estou me contradizendo, porque no começo do post eu disse que não gostava de me prender a rótulos, e eu até concordo, mas dá pra entender o ponto?

Quando você se apaixona e ama, você não vê um corpo ou um olho - você vê através do olho. Você vê a essência, os códigos que compõem a pessoa, o que forma suas linhas digitais e a cartilagem de seus ossos. O amor verdadeiro não é aquele que vê como a pessoa é, e sim se aprofunda no que ela é. Quando eu amo, quando eu me apaixono, eu amo a alma daquela pessoa, me apaixono por sua alma. Até porque, sem a alma, é um corpo que já já vai se decompor.

Somos temporários, mas nossa alma é imortal. De que vale amar alguém se esse corpo tem a chance de morrer antes de mim? E se for depois, que desrespeito seria se eu desonrasse a história vivida e me deitasse num temporário de outro temporário... Não, não é isso o que meu coração quer. Ah, que lindo duas almas se despirem juntas e se amarem até que a eternidade dê a elas a oportunidade de se encontrarem de novo, sem impasses, sem ventos contrários, sem morte. Quero amar a alma de alguém que ame a minha. Duas almas juntas que se tornam uma só carne, que vão além do temporário desta terra.

O amor não se limita, não é restrito e não é um cubo fechado; o amor é inexplicável por conta de sua imensidão, de como ele atinge todas as extremidades de todos os cantos - altos e baixos, claros e escuros. O amor é como o Sol, o tão dito Sol do Amor. 


2 comentários:

  1. a obsessão em se encaixar em grupos identitários é algo fabricado pra radicalizar a sociedade, é uma invenção do mundo pra te dizer quem você é, sem que você possa contestar apenas compreender e justificar.
    existe muita coragem nesse processo: procurar um rótulo, encontrar um rótulo, se entender e rejeitar o rótulo, escolher ser você. a existência precede a essência, e a resistência é parte do processo de ser você, você ama com a alma porque quer amar uma alma também, acho isso lindo
    acho que não precisa inventar um termo pra se encaixar ou fazer parte, não sei se vc ta entendo o que eu quero dizer mas le esse trecho acho que você vai gostar
    "Quem pode dizer simplesmente 'não quero dizer' sem se ver obrigado a fornecer inúmeras frases e convencimento? Um esforço brutal é preciso para se calar"

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    1. voce literalmente resumiu o post todinho, me encontro em prantos
      é bom você saber quem você é, ter algo para se apoiar, mas quando os rótulos começam a se tornar restrições e condições você volta a deixar de ser quem você é para ser o que acham que você é
      e esse trecho eu quero tatuar na minha cara socorro

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