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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

minha falta de protagonismo (na minha própria vida)

Apesar do título soar como algo meio narcisista, não acho que eu consiga pensar em uma expressão mais leve para definir esse pensamento de forma literal. É muito comum vemos pessoas dizendo que é bom romantizar a vida, vive-la como se fosse uma série onde você é o protagonista. Mas o que eu faço quando eu mesma pararia de assistir minha própria série porque a "protagonista" não age como tal?

sugestão de música para ouvir enquanto lê

Me esforço para viver. Quando o ano virou, é normal prometer ditações para seu futuro nos meses seguintes e criar um vision board - eu prometi viver. Já se passaram nove meses, crianças nasceram e morreram, adultos e adolescentes renasceram, e eu ainda estou aqui. Quer dizer, não é pra tanto, eu procurei viver e procuro ser alguém melhor do que eu fui ontem, e ontem eu procurei ser melhor do que eu fui anteontem.

Mas eu não consigo sentir que estou vivendo o bastante, e nem é por causa de comparações que me perseguem todos os dias, é porque a sensação de vivência não permanece, como se eu voltasse para a estaca zero automaticamente. Não danço balada, não estou cuidando de mim mesma, não recomeço - e vejo pessoas fazendo isso enquanto estou parada por não saber o que fazer. Não vivo minha própria vida como deveria viver, sou uma entrosa na minha existência e vejo os arcos dos protagonistas que vivem de verdade.

Minha apatia vem da falha da romantização, e eu luto para vencê-la. Quero me exalar, matar a fomo e viver minha performance. Quero viver, morrer e renascer, não ser só um corpo seco. Não quero ser coadjuvante; não tomar o holofote de ninguém, mas viver o que é meu sem estar no escuro. Quero me viver sem culpa, seguir meu roteiro e cantar minha música. Quero ser eu, eu viva.

Me irrita isso ter vindo de um cérebro que não acredita em nada e de um celular quebrado.

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