Apesar do título soar como algo meio narcisista, não acho que eu consiga pensar em uma expressão mais leve para definir esse pensamento de forma literal. É muito comum vemos pessoas dizendo que é bom romantizar a vida, vive-la como se fosse uma série onde você é o protagonista. Mas o que eu faço quando eu mesma pararia de assistir minha própria série porque a "protagonista" não age como tal?
sugestão de música para ouvir enquanto lê
Me esforço para viver. Quando o ano virou, é normal prometer ditações para seu futuro nos meses seguintes e criar um vision board - eu prometi viver. Já se passaram nove meses, crianças nasceram e morreram, adultos e adolescentes renasceram, e eu ainda estou aqui. Quer dizer, não é pra tanto, eu procurei viver e procuro ser alguém melhor do que eu fui ontem, e ontem eu procurei ser melhor do que eu fui anteontem.
Mas eu não consigo sentir que estou vivendo o bastante, e nem é por causa de comparações que me perseguem todos os dias, é porque a sensação de vivência não permanece, como se eu voltasse para a estaca zero automaticamente. Não danço balada, não estou cuidando de mim mesma, não recomeço - e vejo pessoas fazendo isso enquanto estou parada por não saber o que fazer. Não vivo minha própria vida como deveria viver, sou uma entrosa na minha existência e vejo os arcos dos protagonistas que vivem de verdade.
Minha apatia vem da falha da romantização, e eu luto para vencê-la. Quero me exalar, matar a fomo e viver minha performance. Quero viver, morrer e renascer, não ser só um corpo seco. Não quero ser coadjuvante; não tomar o holofote de ninguém, mas viver o que é meu sem estar no escuro. Quero me viver sem culpa, seguir meu roteiro e cantar minha música. Quero ser eu, eu viva.
Me irrita isso ter vindo de um cérebro que não acredita em nada e de um celular quebrado.
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