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domingo, 9 de agosto de 2026

minha agonia de não saber escrever

 Apesar de eu ter dito que eu sou boa em me expressar, por justamente ser uma pessoa excessivamente expressiva, às vezes sinto que eu não consigo extrair um bom suco da laranja que é a minha cabeça, e nem transcrever com clareza o que realmente se passa dentro da minha cachola. Mesmo que eu tenha muitas coisas para serem postas para fora, ainda sim é uma dificuldade de colocar tudo em prática em uma folha ou num documento de computador.

Por exemplo, quando pego um caderno novo, tenho muito medo de todas as páginas como um todo. Muitas pessoas dizem que possuem um medo específico da primeira página, mas eu particularmente sinto isso com todas. Calculo como minha caligrafia vai estar, se o desenho vai estar bem posicionado, procuro referências até finalmente desistir e deixar aquele caderno como que sem órgãos esquecido em algum lugar, esperando ser encontrado tempo depois para que ele possa ser preenchido com algo despretensioso, mas que ainda desse modo foi posto com muito medo.

Esse medo também se manifesta em pensamentos que eu planejo extravasar aqui, ou até mesmo no notas do celular, mas que eu sempre travo porque não sei fazer introduções que casem perfeitamente com o que eu quero criar, então eu passo dias e dias travada na mesma posição e eu consigo simplesmente esquecer o que tanto martelou na minha cabeça. Porque, além de ter essa mania de perfeição, eu também tenho uma memória de peixe.

Sempre penso em modos de colocar o meu sangue, minhas linhas, minhas pupilas - tudo o que é e há de ser meu - em tudo o que eu procuro criar, o que eu procuro assinar em baixo com o meu nome para mostrar que aquela sou eu. Até meu nome eu tenho medo de assinar, de errar o J ou deixar o C feio. Mas afinal, para quem escrevo? Para mim, ou para alguém outro? Nunca penso nisso quando faço algo assim, por isso que nem sempre minhas escrituras serão legíveis para o cérebro humano. Aquilo é somente um grande furacão de palavras, de pensamentos e de vontades, que gostariam de ser compreendidos mesmo que tenham tomado vida própria e destruído completamente toda a biblioteca da minha cabeça.

Eu só sei que eu sempre tenho vontade de criar, de escrever, de gritar e cantar e me extravasar. Nunca me darei bem com inseguranças numa tela branca, mas bastará um ponto e ondas hão de finalmente bater contra esta, fortes e imprevisíveis. Assim como minhas ideias, assim como minhas vontades. Imprevisíveis.

Imprevisibilidade.

2 comentários:

  1. eu não sei nem o que comentar porque você literalmente escreveu o que eu queria ter escrito, você ta dentro da minha cabeça na julia saiiiiiiiiiiii

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